quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


Someday. I'm just going to BLOW UP!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

I wish i could


Voltar a ver as estrelas pela primeira vez, saborear o doce do meu primeiro gelado ou ficar acordada a pensar como seria quando fosse crescida.

Sentir o estômago contorcer-se como no meu primeiro beijo, ou chorar desalmadamente como quando cai a primeira vez de bicicleta.

Ver tudo pela primeira vez, de olhos bem abertos, os cheiros, os sabores, o toque, as sensações e por o cérebro a funcionar além dos tópicos e duvidas do costume que se amontoam como uma manta de retalhos, suja e encardida entre os impulsos eléctricos da massa cinzenta.

Que me explicassem como se joga este jogo para o qual nunca ninguém se deu ao trabalho de me explicar as regras e que chamam descontraídamente de amor.

Que me dissessem que tudo vai ficar bem e me dessem um beijinho na testa antes de dormir, depois de ouvir uma historia que me fazia acreditar que o mundo era feito de fadas e princesas, sapos e trapezistas, cães que falam e lâmpadas que concedem desejos.

Voltar a ser uma folha em branco, sem vícios, preconceitos, frustrações, sem a marca de tudo o que passa por nós e nos torna uma obra de arte ou um esboço.

Não saber como são as pessoas ou ter de prever o quão mesquinhas podem ser.

Não ter de me descobrir ou compreender sem um manual de instruções, não ter tudo nas minhas costas e não querer carregar com o mundo nos ombros.

Ter medo do bicho papão.


Dormir.

"Sei que minto...
Pois o que sinto,
Não é diferente de ti.
Não cedo.
Este segredo.
É frágil e é meu"
Silence 4

Vou viajar
Quando voltar não é mim que encontrarás
Vou falar outras linguas, mas não a tua
Os teus olhos já não farão brilhar os meus
E os meus não encontraram resquicío de luz nos teus
Tem de ser
Para ganhar uma batalha por vezes sacrificam-se vidas
outras vezes corações.

Dry...


A tinta secou, forcei-a a escrever…não cedeu.
Os dedos, calejados e dormentes, recusam-se a continuar.
Os olhos, cansados e chorosos, teimam em fechar.
O coração prossegue a sua marcha num compasso lento e sentido.
Cada inspiração me é dolorosa.
A memória não recorda mais nada, abandonando as suas funções e todo o meu pensamento é um grilo que canta numa noite escura.
Fico ali sentada, a sentir o frio a entrar-me pela camisola curta, de olhos pregados no vazio.
Sinto a cabeça a latejar, as lágrimas precipitam-se pelo rosto e tudo se torna indistinto.
Não consigo ver… Apenas ver-te.
A minha estrada não é a tua…
E nem conseguimos caminhar lado a lado.
Não te amo mais.
E não escrevo nem mais uma letra sobre ti.
Não me ouviste dizer que a tinta secou?

Trapped


Ai!

Está tão apertado aqui!

Que sitio é este?

Mas…

Tu prometeste cuidar de mim…

É isso que estás a tentar a fazer?

Proteger-me?

De quê?

De quem?

Porquê?

Eu confiei em ti…

É assim que retribuis?

Pode ser dourada…

Mas não deixa de ser uma gaiola.

No hard feelings?!

Querido,
não te amo mais, vou viver com o Francisco para o Monte da Caparica, serás muito bem vindo caso nos queiras ir visitar. Não penses que tomei esta decisão de ânimo leve, reflecti muito e cheguei á conclusão de que esta é mesmo a melhor solução, dado que já nem o sexo era a mesma coisa. E agora vamos ás coisas importantes: Fui á mercearia e recheei o frigorífico com tudo o que mais gostas, repus a gaveta das cuecas, cosi as meias e lavei toda a roupa do trabalho.Ah! Falei com a Benedita para cá vir fazer umas limpezas, visto que não estás habituado ás lides domésticas. Não me leves a mal esta forma de despedida, assim evitamos cenas piegas e embaraçosas, recordando o melhor um do outro. Espero que tudo corra pelo melhor.

Próxima paragem: sete rios

11.30 - Sento-me na estação rodoviária e espero..
Os bancos cor-de-laranja deixam-me nauseada assim como o cheiro a croissant requentado...
"Sala de Espera" diz o letreiro por cima dos presentes, espera? Espera para quê? Para onde?
Para onde se dirige toda esta gente?
São na sua grande maioria idosos, vestes escuras, óculos garrafais e rostos enrugados pelo tempo, pelas intempéries, pela vida. Muitos trazem radiografias, exames e coisas do género, o que me permite deduzir que vão visitar o "senhor doutor", que tal como está bem espelhado nos seus rostos "a coisa não anda nada bem", é a perna que falha, são os rins que empedrecem, é "a mão que já não semeia". Outros falam sobre os filhos que também um dia daqui partiram, á procura de um lugar ao sol nas cidades de betão e cimento.
E toda a gente se dirige para alguma parte, com um objectivo definido ou em mente. Ou não?
Será possivel partir sem destino traçado? Será que existe destino? Partida ou chegada? Ou toda a nossa vida é uma viagem contínua mas ainda assim lenta e irregular? Será que para todas estas pessoas esta é mais uma viagem ou "a viagem"?
Sempre me senti intrigada acerca dos outros, desde sempre que imagino a sensação de estar na pele de outrém, daí esta permanente e perscrutadora observação. Sei no entanto que para compreender o que nos rodeia temos de nos conhecer a nós mesmos e a mim coloco a derradeira questão: Para onde vais?
-Vou para onde a vida me levar, porque acredito nesse destino ainda que ele seja um tanto repressivo e sobretudo na ideia de que somos levados pelas circunstâncias como folhas ao vento, uma coisa leva a outra e quem sabe se esta viagem rotineira até Lisboa seja o ponto de partida para muitas mais.
11.45 - O motorista apressa-se a recolher os bilhetes, subo as escadas e olho em redor, o autocarro vai praticamente vazio, talvez as grandes viagens da vida sejam espirituais e nao físicas...

Não me olhes assim...


Não me olhes assim…
Só porque gosto de roer as unhas dos pés…
De pular na cama e desalinhar os teus lençóis tão arrumadinhos e brancos.
De ficar bem agarrada ao meu ursinho Zézé e sussurrar-lhe histórias ao ouvido...
Ele é pequeno como eu, também precisa de uma mamã, ainda que pequena e desajeitada…
Não me ralhes se sujei o vestido que avó Bina me deu ou se espreito pela janela fazendo caretas aos vizinhos…
Eles sabem-me pequenina, tu é que não…
Nunca mais os teus olhos foram os mesmos, não na forma de me olhar, de me perceber, talvez seja por sermos parecidas…
Se pudesse fazia de ti meu maridinho e de mim uma senhorinha,
só para te ver sorrir como antes…
Sim, podes chorar que eu abraço-te como faço com o Zézé e ficamos os dois numa conchinha a choramingar baixinho…
Não me olhes assim papá…
Não agora que a mamã se foi…

Moribunda

De repente falar do futuro deixou de parecer pertinente, simplesmente porque ele não existe mais. Levar uma vida completamente virada para o que poderá vir a ser deixou de fazer sentido. E a contemplação que antes se confundia com ócio parece-me a única saída. E è a contemplar o infinito azul do mar que vos deixo esta ultima mensagem, agora que as réstias de esperança me abandonaram e me sinto mais lúcida que nunca para escrever, uma lucidez tão aguda que me rompe por dentro, rasga todo o meu ser e a minha essência em pequenos pedaços que bóiam agora pela praia fora. Como lamento todo o tempo perdido, todos os pequenos momentos em que a dor de pensar me atordoou os movimentos, me impediu a felicidade ou a infelicidade e me fez ver a sombra num lugar repleto de sol. Mas porque lamentar-me? De que me serve esta auto-recriminação? Torno-me agora num centro de forças opostas, bem e mal, luz e escuridão, yin e yang pois se um lado meu se desfaz em tristeza, o outro rebenta de felicidade! Sim sou feliz por tudo o que vivi! Sou eternamente feliz e grata por todos os pequenos e grandes momentos que justificam esta merda de fim. Querem conselhos? Será que alguém no seu perfeito juízo me pediria tal coisa? Sou tão qualificada agora para o fazer como antes… a morte não nos faz ver mais e melhor, a morte é a morte e perdoem-me se não tenho considerações filosóficas acerca do assunto. Amo-vos e odeio-vos com toda a energia inútil que me resta. Parto então, nem santa, nem pecadora, apenas mais humana porque não há nada de mais humano que a morte.